Bloom Project Aldeinha

A proposta do Bloom Project Aldeinha é transformar uma área degradada, após sucessivas remoções de uma favela, em um local de interação cultural e social no coração da cidade de São Paulo. Criando um parque onde a arte dialoga com a estética da favela, sob a concepção artística de Jean Paul Ganem, um dos expoentes do segmento de Landart.
“Para mim ficou claro logo no início que o “Projeto Aldeinha”, ainda que modestamente, pode apresentar alternativas para os problemas dos habitantes da favela, dentre eles: a questão da educação, do resgate da autoestima, da visibilidade e da inclusão. O conceito do desenho em si restaura a planta da antiga favela. Reinterpreta a memória daquele local, buscando atrair a atenção das pessoas para a situação da moradia, e dos ex-moradores, que verão representados seu passado, sua estética e suas histórias de vida.”
Jean Paul Ganem & Brazimage
O Bloom Project Aldeinha aprofunda conceitos que surgiram na primeira grande obra urbana de JP Ganem, o “Jardin des Capteurs”, realizado em um aterro sanitário em Montreal, no Canadá, com patrocínio do Cirque du Soleil e da prefeitura local. A implantação do colorido jardim foi um modelo de ação social com o envolvimento de jovens e presidiários da comunidade, em parceria com a ONG EarthDay.
Em São Paulo, esse conceito é expandido, e a obra se transforma em um projeto piloto a ser replicado em outros locais do Brasil e do exterior, pela criação de um centro de formação ambiental e capacitação em ofícios como jardinagem, marcenaria e costura, voltado para comunidades carentes da vizinhança.
O projeto prevê uma plataforma digital acessível para que qualquer cidadão, via web, possa participar da transformação do espaço.
O Local

O Bloom Project Aldeinha surge após a remoção da antiga Favela Aldeinha, situada ao lado da Ponte Julio de Mesquita Neto, no bairro da Lapa em São Paulo. Uma área de 17 mil m2 onde nos últimos 30 anos ocorreram três ocupações que expõem um dos principais problemas das grandes cidades.
“Nossa pesquisa começa no início de 2008, em conjunto com as Secretarias Municipais do Verde e do Meio Ambiente e da Habitação de São Paulo. Havíamos percorrido diferentes lugares degradados, dentre eles algumas favelas em processo de remoção. Até que chegamos à Aldeinha em outubro de 2008, quando restavam poucas famílias no local. Decidimos frequentá-la durante um mês para saber se realmente deveríamos fazer lá o projeto. No início foi um grande choque, tivemos receio de como seria o desfecho da remoção, mas um grande encontro com um dos antigos moradores da favela nos fez acreditar que aquele era o lugar certo para realizarmos o projeto. E a partir daquele momento sabíamos que aquelas pessoas não queriam continuar vivendo ali daquela maneira e que nossa ação poderia ser um caminho para que a sociedade pudesse enxergar essa questão.”
Jean Paul Ganem & Brazimage
Estima-se que próximo à região onde será implementado o projeto, habitem cerca de 15 mil pessoas. Destas:
13% são crianças e adolescentes de 0 a 14 anos
18% são jovens de 15 a 29 anos
44% são adultos de 30 a 59 anos
25% são idosos com 60 anos ou mais
Fonte: Fundação Padre Anchieta
“Quando você sente o cheiro de esgoto todos os dias, você não fica legal, não tem saúde, sua pele fica detonada, sua dignidade vai lá no lixo. Eu não quero nada de graça, só quero um espaço que eu consiga trazer alguns amigos e eles não sintam nojo da minha casa.”
Brito Knight, ex-morador da favela Aldeinha, no seu primeiro contato com o projeto
A Transformação

O Bloom Project Aldeinha reúne aspectos da natureza inerentes à obra de Jean Paul, com questões ambientais e sociais que afligem as sociedades urbanas contemporâneas. O projeto promoverá, por meio da arte e da cultura, o envolvimento da comunidade no resgate para a cidade de uma área pública degradada, criando um espaço de lazer, vivo e de enorme riqueza ambiental. Seu foco está na capacitação das pessoas e na mudança de hábitos ambientais e sociais dos antigos moradores e das vizinhanças do espaço. Após sua implementação, estará aberto ao público com caráter de “Parque Efêmero Cultural e Ambiental”. Um espaço de convívio, voltado para manifestações artísticas, ambientais e educativas, que busca trazer um pouco de poesia para uma situação social complexa.

“A riqueza deste projeto está na possibilidade de “plantar” uma pequena semente de transformação na cabeça das pessoas.”
Jean Paul Ganem

Para a realização da obra, foi formatado um núcleo social composto por ongs, oscips, institutos e associações de diferentes áreas de atuação.



